Os 10 artigos mais lidos do blog da GeneXus em 2025
2025 was a year full of innovation. Here are the posts that sparked the most interest in the GeneXus community throughout 2025.
Quando alguns adolescentes no Uruguai sonhavam em ser jogadores de futebol ou simplesmente queriam aprender a tocar violão, Nicolás Jodal já estava profundamente envolvido em invenções como foguetes caseiros e até uma câmera de raios-gama, que ele criou junto com seu amigo Gustavo Proto, que anos depois faria parte da primeira equipe de trabalho da GeneXus e da história do Primeiro Encontro GeneXus.
Muitos desses projetos não funcionaram. Mas para Jodal, o importante sempre foi tentar, mesmo que pudesse dar errado.
Hoje, como cofundador e CEO da GeneXus, ele continua se orientando pela sua curiosidade. Em uma entrevista com Paula Scorza e Emilio Izaguirre, no programa uruguaio 12 PM
(Azul FM), compartilhou sua visão sobre inovação, Inteligência Artificial (IA), educação, trabalho e natureza.
Este conteúdo está baseado nessa entrevista imperdível:
Há 40 anos, quando a inteligência artificial ainda era um conceito incipiente, Breogán Gonda (Chief Technology Advisor) e Nicolás Jodal (CEO), cofundadores da GeneXus, decidiram apostar no potencial dessa tecnologia para criar algo verdadeiramente disruptivo: uma plataforma capaz de automatizar tudo o que for automatizável em cada etapa do desenvolvimento de software, simplificando processos, acelerando prazos e potencializando a produtividade dos desenvolvedores.

Nicolás Jodal and Breogán Gonda, GeneXus.
Desde seus primórdios, a GeneXus teve um objetivo ambicioso: ser uma solução global desde o primeiro dia. Mas alcançar algo global nos anos 80 não era exatamente simples.
“Não podíamos fazer ligações internacionais. Cada uma exigia uma solicitação especial e era caríssima. Os contatos com o exterior eram por fax… e nem sequer tínhamos um. Íamos super felizes buscar os faxes em um escritório da Antel (empresa de telecomunicações do Uruguai) em Ciudad Vieja (Montevidéu)”, lembra Jodal com humor.
Desde o começo, tomaram uma decisão estratégica: a GeneXus devia estar em inglês, porque sua visão era exportar tecnologia, não se limitar ao mercado local.
Hoje, a GeneXus também está disponível em espanhol e japonês. Sua nova edição, GeneXus Next, permite até interagir em linguagem natural em qualquer idioma do mundo, derrubando as limitações linguísticas.
Com seu principal mercado no Japão, a GeneXus – que desde 2022 faz parte da Globant — é usada por uma comunidade de mais de 150.000 usuários registrados e clientes ativos, entre os quais destacam-se empresas como Mitsubishi Electric Corporation, CRRC Electric, Jalpak, Bantotal, Resona Holding, Canal do Panamá, entre muitas outras.
A matriz da GeneXus está em Montevidéu, Uruguai, e conta com escritórios no Brasil, México, Japão e Estados Unidos, além de distribuidores oficiais em mais de 100 países ao redor do mundo.
Dias antes de a pandemia ser declarada oficialmente no Uruguai, Nicolás Jodal já conversava com outras pessoas sobre a necessidade de dar uma resposta digital rápida e eficaz ao problema. Uma das primeiras coisas que eles anteciparam foi que, em meio ao pânico, as linhas telefônicas dos centros de saúde seriam as primeiras a colapsar.
Foi assim que nasceu o Coronavirus UY, um aplicativo desenvolvido em apenas uma semana com a GeneXus, e criado por uma equipe multidisciplinar de diferentes empresas, sob a liderança de Jodal.
O app foi utilizado por mais de 3 milhões de pessoas, tornando-se um verdadeiro marco para a indústria de software no Uruguai e uma demonstração concreta da capacidade do país de criar soluções digitais de impacto global.
Esse Sistema de Missão Crítica oferecia serviços essenciais como:
Graças à sua eficácia, o Coronavirus UY se transformou num pilar fundamental da estratégia digital do governo uruguaio diante da COVID‑19.
Como reconhecimento por sua contribuição social e tecnológica, Nicolás Jodal foi agraciado com o Prêmio “500 Anos Estreito de Magalhães”, concedido pelo Governo do Chile.

Nicolás Jodal em coletiva de imprensa junto com Álvaro Delgado, Secretário da Presidência | Foto: Presidência Uruguai
Para Jodal, a chegada da Inteligência Artificial Generativa é tão revolucionária quanto foi, em sua época, a Internet ou os telefones celulares. No entanto, ele adverte: “O mais importante é entender que a máquina não pensa, não tem valores, não entende nada. Apenas prediz a próxima palavra.”
Sobre como funciona a IA, ele confessa que é algo tão complicado que nem os pesquisadores que criaram os Modelos de Linguagem (Large Language Models) entendem com precisão, e por isso é tão fascinante. Jodal explica que foram carregados na IA milhões de livros digitais e trilhões de palavras, por isso o que ela faz é seguir sequências de texto, imitando conversas humanas, mas sem realmente entender o conteúdo.
“É como um papagaio que repete o que ouviu. Não tem memória, mas cria a ilusão de que a tem. Então, quando lhe perguntamos sobre qualquer tema, suas respostas seguem uma sequência que alguém escreveu em algum lugar. Não tem valores, não pensa. Porém, se comporta como se fosse um ser humano do outro lado da tela, e isso cria, o que eu chamo, em vez de ilusão óptica, uma ilusão mental. É a primeira vez na história da humanidade que podemos ter conversas coerentes com um ser que não é inteligente, nem tem memória. Ou seja, se eu digo, você lembra do que te perguntei outro dia? Não vai lembrar. Mas se você perguntar dentro da mesma conversa, ele vai buscar no conhecimento que tem guardado e vai te responder. Então você tem a ilusão de que ele lembra, mas não lembrou.”
Jodal tem uma postura firme (e divertida!) sobre isso:
“Cumprimentar e se despedir da IA é desnecessário. É uma briga que eu tenho com minha filha. Outro dia eu disse, Agustina, me diz, você cumprimenta o liquidificador? Você entra no carro e o cumprimenta. Não, você não cumprimente, porque é uma máquina que não se lembra de você, e não pensa nada sobre você. Além disso, há um truque em todas as intenções artificiais para os consumos finais, e é que são feitas para agradar. Então você gosta e por isso diz obrigado. Mas não, é uma máquina.”
“Não, você não pode confiar na IA porque é uma máquina que tem a capacidade de alucinar, de inventar coisas. Quando você pergunta algo que ela não sabe, o mais provável é que em vez de dizer que não sabe, ela vá inventar. É truque. E isso faz parte da máquina. Não é um erro. Há uma maneira de tirar sua capacidade de alucinar que se chama baixar a temperatura. É como se você diminuísse a febre da máquina. Mas se você fizer isso, ela deixa de ser humana. O importante é não confiar 100% no que a máquina te diz. Você tem que ter pensamento crítico. Por isso a educação é super importante. Agora mais do que nunca devemos estar preparados para saber o que é verdadeiro e o que é falso.”
Jodal assegura que aquilo que antes era escasso — escrever bem, com ortografia correta, gramática e estilo — agora é abundante e acessível a todos graças à IA Generativa [você pode se interessar em ler este whitepaper: Aplicações empresariais da IA Generativa].
“Mais do que proibir essas tecnologias, é preciso ensinar a usá‑las de forma crítica e responsável… E isso é algo que já aconteceu com a matemática. É importante que as pessoas aprendam a fazer contas, mas ninguém agora te faz manualmente uma divisão de três dígitos e coisas do tipo, porque as calculadoras fazem isso automaticamente. Sempre que uma nova tecnologia aparece, há partes do desenvolvimento do nosso cérebro que se tornam menos relevantes, mas outras se tornam muito mais importantes, e o cérebro se adapta a isso. O que vai acontecer é que saberemos escrever menos, mas teremos um alcance de pensamento – ou de ter ideias e levá‑las à prática – que antes não tínhamos.”
“Minha resposta é sim e não. Haverá trabalho, mas não será o mesmo, faremos outras coisas, e faremos muito mais. Em números grandes há trabalho para todos. Sempre que surge uma nova máquina, aparece automaticamente o medo dessa nova máquina. O que também é razoável. No caso da IA Generativa, isso acontece por se pensar que ela tem uma espécie de cérebro humano, e não é assim.”
Como toda revolução tecnológica, esta gera medo. E é normal. Mas também é uma enorme fonte de oportunidades.
“As grandes empresas de tecnologia nasceram em momentos de crise. A Amazon, por exemplo, surgiu em 1993, quando a Internet começava como rede científica. Mas alguém a usou para vender livros.”
A mensagem de Jodal é clara: quem se adapta, encontra oportunidades. Quem resiste, fica para trás.
Olhando adiante, Jodal imagina um mundo onde as interfaces deixem de ser telas e teclados: “Tudo vai em direção a uma conversa. Meu carro já funciona por voz, e acredito que a próxima geração de sistemas será mais conversacional.”
A tecnologia continuará avançando, e devemos estar preparados para dialogar, não apenas para digitar.
Embora ele esteja no centro do mundo tech, Jodal também busca equilíbrio fora da tela. Ele adora treino de força, caminhadas para pensar e seu projeto de rewilding no Uruguai.
“Gosto de fazer coisas que me dão medo. Me motiva. Corro com carros, faço levantamento terra com 157 quilos… e sim, dá medo. Estou sempre na ponta da navalha.”
Ele tem uma rotina marcada, com treinos semanais em sua academia doméstica: “Por natureza sou bastante desorganizado, então preciso me obrigar a ter rotinas. O treino é um bom exemplo: faço três vezes por semana, sempre no mesmo horário. Essa constância me ajuda a manter o equilíbrio. Tenho uma academia em casa muito simples: uma barra e algumas peças de ferro. Faço treino de força com isso. Para organizar minhas rotinas uso um app que eu mesmo desenvolvi.”
As manhãs são seu momento mais produtivo: “Procuro reservar as manhãs para tarefas que exigem maior concentração: pensar, ler ou programar. Por isso, tento não agendar reuniões cedo. A maioria dos meus encontros eu organizo à tarde, deixando a manhã livre para o trabalho mais profundo.”
Ele também colabora com a organização Ambá em projetos de rewilding, buscando recuperar espécies como o venado de campo, que certa vez teve uma população de 20 milhões no Uruguai, mas hoje restam apenas cerca de 600.
“Me interesso muito pela natureza e, em particular, pelo rewilding ou reanimalização. Trata-se de devolver à natureza terras que antes eram usadas para produção, com o fim de restaurar os ecossistemas. Minha ideia é apoiar iniciativas que permitam recuperar a fauna local.”
Nicolás Jodal tem múltiplas facetas que combinam inovação, pensamento crítico e uma visão profunda sobre o futuro. Aqui vão algumas informações curiosas e relevantes sobre ele:
Embora tenha se formado em Engenharia de Sistemas na Universidade da República (Uruguai), Jodal destaca‑se por sua capacidade de comunicar ideias complexas de forma simples. Suas palestras e entrevistas costumam estar repletas de metáforas, humor e uma clareza que conecta públicos técnicos e não técnicos igualmente. Aqui estão algumas de suas apresentações:

Quando fundou a GeneXus nos anos 80, o conceito de Low‑Code não existia, e pouco se falava de IA. No entanto, a plataforma que criou (junto com Breogán Gonda) tinha justamente esse propósito: automatizar o desenvolvimento de software para facilitá‑lo e acelerar processos, reduzindo a necessidade de escrever código manualmente.
Embora a GeneXus seja um produto uruguaio, seu principal mercado é o Japão. A plataforma é muito valorizada naquele país por sua confiabilidade, automação e abordagem lógica e de longo prazo (future‑proof). Jodal já viajou várias vezes ao Japão e entende profundamente sua cultura tecnológica.
Jodal tem um profundo respeito pela educação e, por um tempo, trabalhou como professor na Universidade Católica do Uruguai e como tutor de cursos sobre bancos de dados no Brasil. Embora já não ministre aulas, mantém uma forte ligação com o meio acadêmico.
Por vários anos consecutivos, foi reconhecido como o empresário com melhor reputação do Uruguai, no ranking Merco Empresas e Líderes Uruguay 2023/24, publicado pelo Monitor Empresarial de Reputación Corporativa (Merco).
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10 perguntas para Nicolás Jodal
Es un personaje que me infunde gran respeto y admiración.
Gracias por tanta dedicación! Admirable