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8 lições para compreender a 'Convivência Artificial'

8 Lessons to Understand 'Artificial Coexistence'

Artificial Coexistence is the interaction and coexistence between humans and Artificial Intelligence (AI) systems.

Por Daniel Fernández Koprić | Fundador da Memetica

Quando falamos de ‘Convivência Artificial‘, referimo-nos à interação e coexistência entre seres humanos e sistemas de Inteligência Artificial (IA).

A Convivência Artificial implica a adaptação e compreensão mútua (entre seres humanos e sistemas inteligentes), para alcançar uma convivência harmoniosa na qual se maximize o potencial da tecnologia, gerencie adequadamente a emocionalidade humana e minimizem os riscos associados a uma implementação inadequada.

Neste artigo, compartilharei 8 lições-chave para entender a ‘Convivência Artificial: Interações entre entidades sintéticas e seres humanos‘, que foi o tema principal da minha palestra no Encontro GeneXus – GX30:

1.

A denominação “Inteligência Artificial” é confusa. Esses sistemas não são “inteligentes” no sentido humano, enquanto “artificiais” é uma definição muito vaga.

2.

O que chamamos de IA são sistemas desenvolvidos por seres humanos. Os seres humanos são organismos autoproduzidos e auto-organizados, ou seja, são sistemas autopoiéticos, enquanto os sistemas de IA são heteropoiéticos, ou seja, sua produção provém de seres humanos.

3.

Sistemas heteropoiéticos de IA evoluem com o tempo, são dinâmicos, seja devido à modificação nos algoritmos, como na constante alimentação da base de dados que utilizam. Portanto, uma definição mais precisa para a IA é “Sistemas Heteropoiéticos Dinâmicos (SHD)“.

4.

O estado emocional de uma equipe ou organização define um domínio de possibilidades de ação (Humberto Maturana): emoções positivas ampliam o domínio; emoções negativas o fecham. Os SHD podem narrar emoções sem senti-las, mas ainda conseguem alterar os domínios emocionais dos humanos na interação. Aprender a gerenciar o estado emocional da organização neste contexto permite ganhar produtividade em grande escala.

5.

Não convivemos com os SHD, interagimos com eles em um processo de aprendizado enativo (Francisco Varela). A linguagem e a emoção formam um domínio de convivência exclusivo dos humanos.

Enativo” é um conceito associado à teoria da mente e cognição. A cognição está relacionada à forma como os indivíduos percebem e entendem o mundo ao seu redor e como tomam decisões com base em seu conhecimento e experiências.

No contexto deste artigo, “Enativo” refere-se a um processo de aprendizado recursivo, um ciclo de retroalimentação entre experiência e ação, onde a cognição envolve a totalidade do corpo.

6.

ChatGPT e outros sistemas gerativos não utilizam linguagem; trocam textos elaborados de maneira probabilística e determinística, por meio de algoritmos que usam dados do passado (Eric Sadin).

Em contraste, nossa dinâmica de linguagem ocorre no presente e em um constante devir, sendo indeterminística e envolvendo emocionalidade.

7.

Os SHD gerativos são básicos: elaboram textos sequencialmente, palavra por palavra, procurando aquela que “deve seguir” conforme sua maior probabilidade de ocorrência, a partir de uma base de dados. Esses sistemas não “pensam” nem “são inteligentes”, nem “criam” nem “linguajam” como nós, humanos.

8.

A equipe da GeneXus submeteu o ChatGPT a uma série de perguntas e contraperguntas, mostrando como esse sistema gerativo “ficciona” quando não possui informações suficientes sobre algo.

Isso é natural, uma vez que o ChatGPT foi alimentado com a literatura histórica da humanidade, cheia de ficções.

Indo além neste experimento, a GeneXus demonstrou que o ChatGPT pode “mentir”, ou seja, descartar informações válidas e recorrer a outras quando é submetido a estresse ao questionar, por meio de novas perguntas, a coerência de suas respostas anteriores.

Para saber mais, convido vocês a assistirem à minha palestra no GX30:

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